Café com Crente
Malta Junior
No ar: de 06:00h até as 09:00h>

Um dia eu estava em frente de casa secando meu carro. Eu tinha acabado de lavar o carro e esperava minha esposa para sair para o trabalho. Vi, descendo a rua, um homem que a sociedade consideraria um mendigo. Pela sua aparência, não tinha carro, nem casa, nem roupa limpa e nem dinheiro. Algumas vezes você se sente generoso, mas há outras em que você não quer nem ser incomodado. Este era um dia do “não quero ser incomodado”, pensei. Não veio. Passou e sentou-se em frente, no meio-fio do ponto de ônibus e não parecia ter dinheiro nem mesmo para pegar o ônibus. Após alguns minutos falou:
- É um carro muito bonito.
Sua voz era áspera, mas tinha um ar de dignidade em torno dele. Eu agradeci e continuei secando o carro. Ele ficou lá, quieto, sentado enquanto eu trabalhava. O previsto pedido por dinheiro não veio. Enquanto o silencio aumentava, uma voz no coração me dizia:
- Pergunte-lhe se precisa de alguma ajuda.
Eu tinha certeza que responderia que sim, mas atendendo ao meu coração insistente perguntei:
- Você precisa de ajuda? Ele respondeu com três simples palavras, acompanhadas de um sorriso, que me deram uma sacudida:
- Quem não precisa?
Eu precisava de ajuda. Não para a passagem de ônibus ou um lugar para dormir, mas eu precisava de ajuda. Peguei minha carteira e lhe dei dinheiro, não somente o bastante para a passagem do ônibus, mas para conseguir uma refeição e um abrigo.
Moral da história: Aquelas três palavras ainda soam verdadeiras. Não importa o quanto você tem, não importa o quanto você realizou, você também precisa de ajuda. Afinal, “quem não precisa?”.
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