*Com informações da Agência Brasil
O governo federal anunciou que vai reagir à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota, a Presidência da República classificou a medida como unilateral, sem respaldo nas regras internacionais de comércio, e informou que recorrerá à Lei de Reciprocidade e aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Apesar da nova cobrança, produtos importantes da pauta de exportações do Brasil, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose, ficaram de fora da taxação.
Segundo o governo brasileiro, as investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que embasaram a decisão, não têm legitimidade. Entre os argumentos apresentados pelos norte-americanos estão questionamentos sobre comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Na nota, o Palácio do Planalto rebate as acusações, afirma que críticas ao Pix e à regulação das plataformas digitais são infundadas e destaca que o Brasil reduziu significativamente o desmatamento desde 2023.
O governo também ressaltou que a maioria das manifestações em audiências públicas promovidas pelo USTR foi contrária à aplicação das tarifas. Além disso, argumentou que os próprios dados norte-americanos apontam superávit comercial dos Estados Unidos na relação com o Brasil nos últimos 15 anos. Por fim, a Presidência informou que adotará medidas para minimizar os impactos econômicos da decisão, proteger os setores afetados e ampliar a busca por novos mercados para os produtos brasileiros.
Entidades da indústria brasileira criticaram a decisão americana. A Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, afirmou que a medida também reflete “ruídos diplomáticos desnecessários” do governo brasileiro. A Fiemg, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, alertou que a nova tarifa pode reduzir a competitividade das empresas nacionais, provocar perda de mercado para concorrentes estrangeiros e pressionar a renegociação de contratos e preços das exportações brasileiras.