O Brasil e o mundo perderam um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. A lenda do basquete, Oscar Schmidt morreu na tarde desta sexta-feira (17), aos 68 anos. Ele sentiu um mal-estar na manhã desta sexta e foi encaminhado às pressas para o Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em São Paulo.
O Mão Santa, como era conhecido pela precisão nos arremessos, teve uma parada cardiorrespiratória. O hospital soltou nota oficial.
“O Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) informa que o paciente Oscar Daniel Bezerra Schmidt, de 68 anos, foi encaminhado à unidade nesta quinta-feira (17/04) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), já em parada cardiorrespiratória (PCR). A equipe prestou toda a assistência necessária e acolheu os familiares, oferecendo os devidos esclarecimentos. Neste momento de dor, expressamos nossas sinceras condolências à família e amigos”.
Em um comunicado, a família destacou sua luta de 15 anos contra um tumor cerebral.
“Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida. Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo”, diz um trecho da declaração da família.
O corpo de Oscar será cremado, e, segundo outro trecho do comunicado, a cerimônia de despedida não será pública.
“A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.”
Oscar Schmidt foi detentor do recorde de maior pontuador da história do basquete, com 49.703 pontos, até 2024, quando foi superado por LeBron James. Além disso, possui o recorde de mais pontos na história dos Jogos Olímpicos e da seleção, com 1.093 e 7.693 pontos, respectivamente.
Pela seleção brasileira, o momento mais emblemático foi a conquista do ouro dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Na época, liderou o Brasil na vitória por 120 a 115 sobre os Estados Unidos, marcando a primeira derrota dos norte-americanos em casa na história da competição.
Na década de 1980, Oscar Schmidt recusou um convite da NBA para participar do recrutamento. O Mão Santa fez testes, mas uma regra que impedia de disputar jogos da seleção brasileira mudou a sua decisão. Em 2013, ele entrou para o Hall da Fama do basquete dos Estados Unidos. Alguns anos depois, em 2017, foi convidado para participar do Jogo das Estrelas e foi homenageado.
Neste mês de abril, Oscar foi introduzido ao Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. O ala-armador participou de cinco edições de Olimpíadas e ainda integra o Hall da Fama do Basquete.
Durante a carreira, Oscar Schmidt defendeu clubes como Palmeiras, Sírio, Corinthians e Flamengo, onde ele se aposentou do basquete, em 2003. Ele conquistou títulos como o Campeonato Brasileiro com Palmeiras em 1977 e Corinthians em 1996, além do Mundial com o Sírio em 1979 e o Carioca com o Flamengo em 1999 e 2002.
Em 2011, Oscar descobriu que tinha um câncer maligno no cérebro. E, durante anos, mostrou a mesma força presente nas quadras para vencer a batalha contra a doença. Ainda em 2011, realizou a primeira cirurgia para a retirada do tumor de oito centímetros. Mas, em 2013, a doença voltou, e Oscar foi operado novamente para conter o avanço.
As cirurgias foram um sucesso e, após anos, Oscar recebeu o prognóstico de cura total. Até 2019, o Mão Santa ainda tomava remédios e fazia um tratamento mensal para prevenção da doença, mas clinicamente já estava liberado. Nos anos seguintes, Oscar deu outras declarações a respeito de seu estado de saúde, reforçando que se sentia bem e estava disposto a aproveitar a vida. Nos últimos meses, porém, a família do astro preferiu adotar uma postura mais reservada sobre o estado do ex-jogador.
Oscar deixa a mulher, Maria Cristina, e dois filhos, Filipe e Stephanie.